APETITE A METRO

Coisas de gaveta, para gente de gaveta.

Meno:
Miesto: Lisboa, Portugal

É colocada à disposição dos que visitam este blog a criatividade que sempre esteve na gaveta. Desenhos, escritos, contos, divagações, músicas, poesia... tudo o que for encontrando. Tudo que encontrar aqui é original, não contém nenhuma espécie de plágio ou cópia de outro autor que não os que neste blog participam.

utorok, januára 24, 2006

Essa rameira edifício


Abriu o peito, foi no meio da praça. Não se deu conta que a observavam. Segundos mais tarde já pouco importava se era homem ou multidão que a rodeava em nojo.
Gritos telegráficos, em código antigo, animal e com um cheiro primitivo transbordou ruas e vielas que ali coabitam com as gentes. Nova coisa que ali acontecia.
Coisa nunca antes vistas, lembrada ou sequer imaginada.
Miúdos boquiabertos, espevitados e empoleirados ignoravam o apelo dos mais velhos, persistiam amedrontados e quase conscientes que aquilo seria algo que nunca mais veriam. Ninguém apaga uma imagem assim, sobrenatural.
Quem não era religioso benzia-se, homens adultos horrorizados prendiam a boca, cerravam os olhos.
A cidade susteve a respiração... até que a mulher parou.
Gigantesca.

Abriu-se uma escada por ela adentro, a boca ocupava todo lado Este da praça. Era monstruosa.
E ao mesmo tempo que se percebeu que nela cabiam uma boa centena de homens, surgiam os primeiros gritos de incitamento. "Subam!" " Essa puta sempre teve algo a dizer!" " Tem dinheiro lá ao fundo, tem que lhe vejo o brilho daqui!" "cobardolas, são todos os cobardolas" " Vai tu seu vádio" " A gaja está a rir pá! A gaja está a rir!"

Ninguém entrou, dois meses passaram, parecia petrificada, à espera... ou assim parecia.

Soube-se que é Julia, Viúva de António, mulher de má fama!
Parteira de rua, pedinte de côdeas duras e mulher de gatos que fez casa na ponte desabada à porta da cidade. Bruxa dos fetos retirados antes do tempo, cumplice das rameiras que fazem filhos dos outros.

Ninguém entrou, 6 meses passaram, parecia petrificada, à espera... era claro!

"Puta!" gritavam as beatas puras e tementes a Deus. "sua vaca, hás-de te abrir para o diabo até que rebentes e desapareças".

Mas não foi o que aconteceu.

( continua... )