observa exilado em exalação subtil
Refeição em Portimão!Chica coxeia, serve o prato do dia – febras – e sandes diversas a clientes com vontade de cerveja e jarros de vinho da casa. Tinto de secar gengivas e arrepiar estômagos mais sensíveis. São cinquenta e muitos os anos que carrega. Mesmo que a realidade lhe coloque os correctos quarentas. Poderá ser a perna que desenha sola e borracha no azulejo, ou o óleo queimado que paira na cozinha que lhe deforma os poros, sulca e amarela a pele. é a velha, de voz esforçada como se tivesse cantado fado e bebido taças feito severa durante a mocidade. Não me parece que alguma vez tivesse cantado. Pouco importa pois também não lhe perguntaria.
Pois Decerto que a mulher seca, pouco dada à palavra, ignorasse qualquer tipo de interpelação para alem da ordem dos pedidos da maralha. O que é de beber, o que é de comer, o que é de sobremesa e se bebe café…. Aguardente?... vou ver!
Outras mulheres pairam na tasca, almoçam com os talheres engolidos nas mãos, golfando a alface do bitoque. ora com os dedos ora com movimentos reptílios de garganta. Facilmente mulheres de alterne de língua e resposta afiada, que se alimentam para arriscar pela noite fora substanciadas por estórias a que chamam experiência de vida por um processo acumulativo. Estáticas por vezes, quando sentem o sotaque familiar num canal por cabo. O país que os pariu violenta-lhes a refeição, e elas gostam. Não lhe cobram o privado.
Surge na tela o reformado, pelo pólo e corte de cabelo aprumado decerto um funcionário público ou bancário ( entenda-se caixa ) que desajeitado paira por cima daquele sexo que de cio pouco tem, mas cujas hormonas enganam pelo aparente sexo fácil. Engana-se, uma puta de noite é uma mãe durante o dia. E o trocadilho fácil não lhe abona credibilidade, aumenta-lhe a fome e o desespero solitário da masturbação sexagenária. Esforça-se por um relato de ocupado de um dia vazio, feito de refeições frugais e caseiras, desprovidas de família. Um prenuncio de morte, um pensamento nunca ausente, um finar de objectivos sobre duas pernas e mil braços solarizadas até exaustão… ali!
Chica Manca adormeceu debruçada sobre a mesa.
A televisão com sotaque, fala de assassinatos, proxenetas, droga, lavagem de dinheiros, suspeitos foragidos, e sol carioca.
O peito mole e abundante da brasileira lateja aos olhos de mais um trolha. Todos se servem livremente de sumos da arca. O filho mais novo serve cerveja em surdina aos amigos. E assim é.

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